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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

PARA QUE SERVE A PRÓSTATA?

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A próstata é uma glândula presente apenas no sexo masculino, que fica localizada no trato geniturinário e apresenta íntima relação com a bexiga, uretra e a vesícula seminal.

Apesar de ser um órgão importante, cuja principal função é a proteção dos espermatozoides no líquido ejaculado, a próstata não é essencial para a vida. Pacientes com doenças graves, como o câncer da próstata, podem ter essa glândula retirado cirurgicamente, sem que isso necessariamente acarrete maiores transtornos.

Neste artigo vamos explicar o que é a próstata, onde ela fica, quais são as suas funções, quais são as suas doenças mais comuns e quais são os problemas de se viver sem a próstata.

O que é a próstata?

A próstata é uma glândula (por isso ela é também pode ser chamada de  glândula prostática), que apresenta uma forma arredondada e possui, em média, 3 cm de altura, 4 cm de comprimento e 2 cm de largura, totalizando um volume de aproximadamente 15 a 20 centímetro cúbicos (ou 15 a 20 gramas).

A glândula prostática fica localizada logo abaixo da bexiga e à frente do reto (porção final do intestino grosso). Colada à próstata também ficam as vesículas seminais, órgãos responsáveis pela produção de parte do líquido presente no esperma (veja  figura ao lado para entender melhor onde fica a próstata).

Por dentro da próstata passa a uretra, canal que drena a urina da bexiga em direção ao pênis. Também por dentro passam os vasos deferentes, que são os canais que trazem os espermatozoides produzidos pelos testículos. Os vasos deferentes desembocam na uretra no interior da próstata.

Qual é a função da próstata?

A principal função da próstata é produzir uma secreção que sirva de proteção para os espermatozoides. O líquido prostático corresponde a cerca de 30% do volume do esperma ejaculado; é ele quem dá ao esperma a sua aparência leitosa.

Os espermatozoides são produzidos nos testículos e transportados pelo vaso deferente, que se junta à vesícula seminal. Ao passarem pela vesícula seminal, os espermatozoides são misturados ao fluido seminal, uma substância alcalina que corresponde a 50-70% do volume total do esperma. Após a vesícula seminal, os espermatozoides chegam à glândula prostática.

Durante a ejaculação, a próstata se contrai e libera o líquido prostático, misturando-se ao líquido seminal já rico em espermatozoides. A primeira fração do esperma ejaculado é rica em fluido prostático e possui os espermatozoides mais ativos, saudáveis e capazes de fecundar um óvulo. O líquido da próstata protege os espermatozoides do ambiente ácido da vagina, mantendo o seu DNA intacto. O fluido prostático também prolonga a vida dos espermatozoides e faz com que eles se tornem mais móveis, aumentando as chances de chegarem até o óvulo.

Como o vaso deferente desemboca na uretra dentro da próstata, é preciso haver algum controle para que a urina da bexiga não se encontre com os espermatozoides vindos do testículos. Quando o homem ejacula, a próstata se contrai, empurrando os esperma em direção ao pênis e fechando a porção do ureter que se conecta à bexiga. Deste modo, há a garantia de que não haverá passagem de urina durante a ejaculação.

Quais são as doenças mais comuns da próstata?

a. Hiperplasia benigna da próstata (HBP)

Um dos grandes problemas da glândula prostática é a sua tendência a crescer com o passar do anos, principalmente após os 40 anos. O aumento da próstata recebe o nome de hiperplasia benigna da próstata.

A hiperplasia benigna da próstata é tão comum que acomete metade dos homens com mais de 50 anos e mais de 80% dos homens com mais de 80 anos de idade.

A HBP tem como principal complicação a obstrução à passagem de urina. Repare na figura acima como uma próstata grande pode obstruir a uretra, dificultando a drenagem da urina.

Para saber detalhes sobre a hiperplasia benigna da próstata, leia: HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA | Sintomas e tratamento.

b. Câncer de próstata

Outra doença comum da glândula prostática é o câncer de próstata. O adenocarcinoma da próstata (leia: O QUE É UM CARCINOMA?) é o câncer mais comum no sexo masculino, presente em até 80% dos homens que chegam aos 80 anos de idade.

O câncer da próstata é um tumor que costuma ser indolente, crescendo lentamente, podendo permanecer assintomático por vários anos.

Para saber mais sobre o adenocarcinoma da próstata, leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento.

c. Prostatite

A prostatite é uma doença causada pela inflamação da próstata.

A prostatite aguda, que é a forma mais comum de prostatite, é um quadro inflamatório normalmente causado por uma infecção bacteriana, em geral por E. coli, Klebsiella ou Proteus.

A prostatite aguda pode ocorrer tanto em homens jovens quanto em idosos e os seus principais sintomas são a febre, dor para urinar e dor na região pélvica.

Para saber mais sobre a prostatite, leia: PROSTATITE | Sintomas e tratamento.

Exames da próstata

Existem quatro importantes exames para avaliar a próstata. O mais simples é o toque retal. Como a glândula prostática fica colada ao reto, através do toque retal é possível palpá-la, podendo-se obter informações sobre o seu tamanho e formato.

Outro exame simples é a dosagem sanguínea do PSA, uma enzima produzida pela próstata, que costuma estar aumentada nas doenças, principalmente no câncer e na prostatite.

A ultrassonografia da próstata é um exame de imagem útil para se avaliar o tamanho da mesma e a presença de nódulos suspeitos. Quando o ultrassom é feito pela via retal, a eficácia do exame é muito maior, sendo esta a forma ideal de se realizar uma ultrassonografia prostática.

Por fim, há a biópsia da próstata, que é o procedimento realizado quando há suspeitas de tumores. Explicamos a biópsia prostática com detalhes neste texto: BIÓPSIA DA PRÓSTATA | Indicações e complicações.

Podemos viver sem a próstata?

Sim, a próstata não é um órgão essencial à vida. Na verdade, nas pessoas idosas, que já não pretendem mais ter filhos, a próstata não tem função, servindo apenas como fonte de problemas.

A grande questão é que a remoção da próstata não é um procedimento livre de complicações. Entre as mais comuns estão a impotência sexual (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento) e a incontinência urinária (leia: INCONTINÊNCIA URINÁRIA | Causas, tipos e diagnóstico).

Este post também está disponível em: Espanhol

BIÓPSIA DA PRÓSTATA – Indicações e Complicações

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A biópsia da próstata é um procedimento no qual o urologista obtém amostras do tecido prostático com o propósito de tentar identificar células cancerígenas. Neste texto vamos explicar como é feita a biópsia de próstata, quais são suas indicações e possíveis complicações.

O que é uma biópsia?

A biópsia é um procedimento médico onde uma pequena amostra de um tecido é retirada de um órgão de um ser vivo para avaliação microscópica à procura de doenças. A biópsia da próstata é feita, portanto, retirando-se uma pequena amostra da próstata para posterior avaliação em um microscópio por um médico patologista à procura de células tumorais.

Indicações da biópsia de próstata

Habitualmente, a biópsia da próstata é indicada quando o urologista suspeita da presença de um câncer da próstata após uma avaliação clínica e laboratorial inicial. Os principais dados que levam o urologista a indicar uma biópsia são um exame de PSA aumentado, um toque retal que identifique tumoração ou irregularidades da próstata ou uma ultrassonografia que detecte um nódulo suspeito.

Se você quiser saber mais sobre câncer de próstata e sua investigação, sugerimos a leitura de:

CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento
CÂNCER DE PRÓSTATA | Perguntas mais frequentes

Como é feita a biópsia de próstata

O modo mais comum de ser realizar uma biópsia da próstata é pela via transretal, ou seja, através do ânus/reto. A biópsia transretal é um procedimento simples, geralmente realizado no próprio consultório do urologista com o paciente acordado durante todo o procedimento e apenas com anestesia local. O procedimento é feito com o paciente deitado de lado e com os joelhos e quadril fletidos.

O urologista insere pelo ânus uma sonda de ultra-som, semelhante à sonda usada na ultrassonografias transretais da próstata, com a diferença de haver também acoplada uma agulha de biópsia (acompanhe o texto com a ilustração abaixo). Não se assuste, pois a agulha permanece o tempo inteiro “escondida”, sendo exteriorizada apenas na hora de se obter as amostras de tecido. O exame quando feito com anestesia é praticamente indolor, porém, ainda assim pode ser um pouco desconfortável para pessoas mais ansiosas.

Com o ultrassom o médico consegue identificar a próstata e a  localização do(s) nódulo(s) suspeito(s), inserindo a agulha no ponto exato para coleta de material. Além dos locais suspeitos identificados pelo ultrassom, o urologista também costuma tirar pelo menos mais 6 amostras difusas de tecido prostático para aumentar a probabilidade de se obter uma amostra positiva. Quanto maior for o volume da próstata, mais amostras podem ser obtidas.

Normalmente, o procedimento não dura mais do que 10 minutos e o paciente pode ir para casa a seguir. O resultado costuma demorar uma semana para ficar pronto.

Eventualmente o paciente pode ter um câncer de próstata e esse não ser identificado pela biópsia. Se o tumor não for muito grande, a agulha pode não pegá-lo, sendo obtidas apenas amostras de tecido prostático sadio. Se o quadro clínico for muito sugestivo de câncer e a biópsia apontar apenas tecido saudável, o urologista pode optar por repeti-la. Quando a biópsia é repetida, o médico pode decidir pela chamada biópsia de saturação, quando são obtidos entre 12 e 24 amostras da próstata. Deste modo, a chance de se pegar uma área acometida por células malignas torna-se bem grande.

A biópsia da próstata também pode ser feita pela via transuretral (pela uretra, canal do pênis) ou transperineal (pelo períneo, região entre o ânus e a bolsa escrotal). Essa duas vias, porém, são usadas geralmente em casos especiais apenas.

Cuidados antes da biópsia de próstata

A biópsia da próstata aumenta o risco de infecção urinária, por isso, é comum o urologista solicitar uma urocultura antes da biópsia para não fazê-la caso o paciente apresente bactérias na urina (leia: EXAME UROCULTURA | Indicações e como colher). Se a urocultura for positiva, o paciente deve antes fazer um tratamento com antibióticos por 5 a 7 dias para esterilizar a urina. Mesmo estando a urocultura negativa, é recomendado o uso de pelo menos um comprimido de antibiótico, geralmente 500mg a 1000mg de ciprofloxacino, uma hora antes do procedimento. Também é comum a prescrição de antibióticos por alguns dias após a biópsia.

Alguns urologista indicam a lavagem intestinal com um enema para ser realizada no dia do procedimento em casa, porém, esta conduta não é essencial e nem todos os médicos a indicam.

Um jejum de pelo menos 4 horas é indicado.

A biópsia é um procedimento que sangra, os pacientes não devem estar tomando drogas que inibam a coagulação. Se você toma medicamentos como Clopidogrel, Ticlopidina, Aspirina (leia: ASPIRINA | AAS | Indicações e efeitos colaterais), anti-inflamatórios (leia: ANTI-INFLAMATÓRIOS | Ação e efeitos colaterais) ou Varfarina (leia: INTERAÇÕES COM A VARFARINA (MAREVAN, VARFINE, COUMADIN)) alerte seu médico deste fato, pois a maioria dos urologistas prefere suspender estas drogas dias antes da biópsia.

Se o paciente apresenta uma próstata grande e dificuldades para urinar, o médico costuma passar uma sonda vesical para impedir que o edema da próstata após a biópsia obstrua totalmente a passagem da urina.

Cuidados após a biópsia de próstata

Após a biópsia o paciente pode ir para casa. Sugere-se evitar atividades físicas, incluindo atividade sexual até o dia seguinte. Como alguns médicos optam por uma sedação leve antes da biópsia, não é indicado dirigir após os procedimento.

É normal haver um pouco de dor na região pélvica e uma pequena perda de sangue pelo ânus. Também são comuns a presença de pequena quantidade de sangue na urina e no esperma por alguns dias. Outro achado não preocupante é uma mudança de cor do esperma por algumas semanas, ficando este geralmente mais claro.

Se o sangramento urinário ou retal for de grande quantidade ou persistir por mais de três dias, o médico deve ser consultado. Outro sinal de complicação é a retenção urinária. Se após a biópsia o paciente tiver vontade de urinar, mas não conseguir, deve-se contatar o urologista. Uma dor que se agrava em vez de melhorar com o passar dos dias ou a presença de febre também são sinais de possíveis complicações.

Este post também está disponível em: Espanhol

HIPERPLASIA BENIGNA DA PRÓSTATA

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A hiperplasia prostática benigna ou hiperplasia benigna da próstata (HBP) é uma condição caracterizada pelo aumento do tamanho da próstata com características benignas, ou seja, sem nenhuma relação com o câncer da próstata.

Neste texto vamos explicar o que é a hiperplasia benigna da próstata, abordando as suas causas, sintomas, diagnóstico e opões de tratamento.

O que é a próstata?

A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz (3cm de diâmetro), com aproximadamente 20 gramas de peso, presente apenas no sexo masculino. Localiza-se na base da bexiga e circunda a parte inicial da uretra, canal que leva a urina da bexiga para pênis.

A próstata faz parte do sistema reprodutor masculino, sendo responsável pela secreção de um fluído alcalino (com pH elevado) que protege os espermatozoides do ambiente ácido da vagina e aumenta sua mobilidade, facilitando a chegada dos mesmos ao óvulo.

Como apresenta íntima relação com a uretra (canal que drena urina da bexiga), alterações no tamanho da próstata podem comprimir a mesma e dificultar a passagem de urina, levando aos sintomas de prostatismo, que serão explicados mais à frente.

Como a próstata encontra-se encostada ao reto, ela pode ser palpada através do toque retal, um dos métodos mais simples de avaliação da glândula. Uma próstata aumentada de tamanho ou de forma irregular devido à presença de um tumor pode ser facilmente identificada por este método. Falaremos com mais detalhes sobre o toque retal na parte de diagnóstico.

A próstata pode crescer e causar sintomas por três motivos:

– Hiperplasia benigna da próstata.
– Câncer de próstata (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas, diagnóstico e tratamento).
– Prostatite – infecção da próstata (leia: PROSTATITE | Sintomas, causas e tratamento).

Para mais detalhes sobre a próstata, leia: O QUE É A PRÓSTATA?

Hiperplasia benigna da próstata (HBP)

O aumento do tamanho da próstata é um processo estimulado pela presença do hormônio testosterona e ocorre durante toda vida no sexo masculino. Quanto mais velho é uma pessoa, mais tempo a sua próstata teve para crescer. Isto significa que com a idade, praticamente todos os homens terão uma próstata grande. Aos 40 anos 10% dos homens já têm uma próstata aumentada de tamanho; aos 50 anos, esse número pula para 50%; após os 80 anos, mais de 80% da população masculina apresenta hiperplasia prostática benigna.

A hiperplasia benigna da próstata, como o próprio nome diz, é um crescimento benigno, que nada tem a ver com câncer. Repetindo para não haver confusão: a hiperplasia da próstata é um processo natural do envelhecimento e NÃO se transforma em câncer de próstata. Esta confusão surge frequentemente porque quase todo paciente com câncer de próstata tem mais de 60 anos, idade na qual a prevalência da HBP é alta. Fazendo uma comparação grosseira, podemos dizer  que muitos pacientes com câncer de próstata têm cabelo branco, mas nem por isso achamos que ter cabelo branco causa câncer.

Sintomas da hiperplasia benigna prostática

O aumento da próstata em si não é um problema. O problema está no fato da próstata estar anatomicamente localizada junto a algumas estruturas do trato urinário, principalmente a uretra.  O aumento da próstata comprime a uretra e atrapalha a saída da urina, podendo inclusive causar obstrução, hidronefrose (acúmulo de urina no rim) e insuficiência renal. Veja a ilustração do início do texto para entender como se dá a compressão da uretra.

Os sintomas da hiperplasia benigna prostática estão relacionados à obstrução da uretra. Os primeiros sinais são a perda de força do jato urinário e a necessidade de urinar frequentemente.

Explicando: a próstata aumentada comprime a uretra e atrapalha a drenagem da urina. Na maioria das vezes essa obstrução é parcial e permite que algum volume de urina passe, principalmente quando a bexiga está cheia e a pressão consegue vencer a resistência causada pela próstata aumentada. Porém, quando o nível de urina dentro da bexiga desce, a pressão cai e o jato, que já é fraco, se interrompe. O resultado final é uma bexiga que não consegue mais se esvaziar por completo, ficando sempre com alguma urina em seu interior. Por isso, o paciente sente vontade de urinar frequentemente, mas só consegue eliminar pequenos volumes.

O não esvaziamento completo da bexiga faz com que um grande volume de urina fique sempre represado, favorecendo o crescimento de bactérias em seu interior, já que o ato de urinar expulsa boa parte dos micro-organismos presentes na urina. Nos pacientes com hiperplasia benigna da próstata, há sempre um “laguinho” de urina para as bactérias se reproduzirem. Não é de se estranhar que a cistite (infecção da bexiga), rara em homens até os 45-50 anos, passe a ser um diagnóstico comum em idosos (leia: INFECÇÃO URINÁRIA (CISTITE) para entender mais sobe o assunto).

O fato da urina ficar represada dentro da bexiga também favorece a formação de cálculos (pedras) no seu interior (leia: CÁLCULO RENAL | PEDRA NOS RINS | Sintomas da cólica renal).

Conforme a próstata cresce, mais comprimida fica a uretra, até o ponto onde pode haver uma completa obstrução da passagem da urina. A urina que não é drenada se acumula na vias urinárias e acaba por acometer os rins, levando à hidronefrose (dilatação dos rins). O resultado final é a insuficiência renal grave, podendo haver necessidade de hemodiálise de urgência. (leia: HEMODIÁLISE).

É bom destacar que não é necessária a suspensão completa da urina para se ter grave lesão nos rins. O paciente pode ainda conseguir urinar e mesmo assim estar com obstrução e hidronefrose grave. Basta que ele tenha um ritmo de eliminação de urina menor do que a produzida pelos rins.

Quanto mais tempo os rins ficam obstruídos e cheios de urina, menor é a chance de recuperação após a desobstrução do fluxo. Após 7 a 10 dias de hidronefrose, começam a surgir lesões irreversíveis dos rins, um processo que se completa após 3-4 meses de obstrução, época em que provavelmente o doente permanecerá dependente de hemodiálise, mesmo que venha a corrigir o problema.

Outro sintoma do crescimento da próstata é a disfunção erétil (impotência), que ocorre por compressão dos nervos que controlam a ereção (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento).

Resumindo os sintomas da hiperplasia prostática benigna:

– Dor ou dificuldade para urinar.
– Jato urinário fraco.
– Necessidade de urinar pequenos volumes com grande frequência.
– Incapacidade de esvaziar a bexiga.
– Infecção urinária.
– Cálculo de bexiga.
– Insuficiência renal nos casos de grave obstrução e hidronefrose.

Como muitos pacientes com aumento da próstata e hidronefrose ainda conseguem urinar, não é incomum que os mesmo não procurem ajuda médica precocemente, negligenciando seus sintomas urinários. Este comportamento acaba por tornar o quadro bem mais grave, muitas vezes fazendo com que o paciente pare no hospital, tempos depois, com um quadro de insuficiência renal avançada. É importante que qualquer idoso, ao primeiro sinal ou sintoma de crescimento da próstata, seja avaliado por um urologista.

Como é feito o diagnóstico da hiperplasia prostática benigna?

Existe um tabela de pontos chamada de ESCORE INTERNACIONAL DE SINTOMAS PROSTÁTICOS. São 7 perguntas e cada uma recebe uma pontuação de 0 a 5

  • Quantas vezes ficou a sensação de não esvaziar totalmente a bexiga?
  • Quantas vezes teve de urinar novamente menos de 2 horas após ter urinado?
  • Quantas vezes observou que, ao urinar, parou e recomeçou várias vezes?
  • Quantas vezes observou que foi difícil conter a urina?
  • Quantas vezes observou que o jato urinário estava fraco?
  • Quantas vezes teve de fazer força para começar a urinar?
  • Quantas vezes, em média, teve de se levantar à noite para urinar?

0 = Nenhuma
1 = Menos de 1 vez em 5
2 = Menos da metade das vezes
3 = Metade das vezes
4 = Mais da metade das vezes
5 = Quase sempre

Leve: 0 a 7;
Moderada: 8 a 19;
Severa: 20 ou mais

O escore acima avalia a severidade dos sintomas prostáticos, mas não diferencia entre HBP, câncer de próstata e prostatites, que apresentam sintomas muito parecidos.

O diagnóstico diferencial envolve o toque retal, a dosagem do PSA, a ultrassonografia transretal e abdominal, e a biópsia da próstata (leia: BIÓPSIA DA PRÓSTATA | Indicações e complicações)

PSA

O PSA é um marcador de doença prostática, colhido através de análises de sangue. O PSA eleva-se na HPB, nas prostatites e, principalmente, no câncer de próstata.

PSA menor que 2,5 = Baixo risco de câncer.
PSA entre 2,5 e 10 = Risco intermediário de câncer.
PSA maior que 10 = Alto risco de câncer.
PSA maior que 20 = Muito alto risco de câncer e elevada chance de doença metastizada.

Pacientes com PSA baixo raramente tem câncer. Quando o valor do PSA é intermediário, o diagnóstico mais provável é a HBP, mas o câncer de próstata não pode ser descartado. PSA alto indica alto risco de câncer, mas também é possível que seja prostatite ou até mesmo apenas HBP. PSA maiores que 20, praticamente só surgem no câncer ou em alguns casos de prostatite.

Toque retal

O toque retal consegue detectar o aumento da próstata, pois a mesma encontra-se encostada ao reto. Este exame da próstata, quando realizado por médico experiente, permite, em muitos casos, saber se o aumento da próstata é uniforme, ou seja, causado pela HBP, ou localizado, causado por um tumor.

O toque retal permite ao médico detectar irregularidades, nódulos, assimetrias e mudanças na consistência da próstata.

Ultrassonografia da próstata

O ultrassom realizado pela via retal permite uma boa visualização da próstata, permitindo calcular o seu tamanho e volume, podendo também detectar nódulos suspeitos.

O ultrassom abdominal permite calcular o volume de urina na bexiga e avaliar a capacidade de esvaziamento da mesma. Também é possível ver os rins e diagnosticar eventuais obstruções graves que estejam causando hidronefrose.

Se após a realização de todos esses exames, o câncer continuar sendo uma hipótese, faz-se necessária a realização da biópsia da próstata para se fechar o diagnóstico.

Tratamento da hiperplasia benigna da próstata

Pacientes que apresentam HBP diagnosticada em exames de rotina e não apresentam nenhuma queixa ou sinal de obstrução urinária podem ser acompanhados regularmente sem tratamento específico.

Se houver aumento da próstata e sinais de obstrução moderada das vias urinárias, geralmente o tratamento indicado é feito com medicamentos que diminuem o tamanho da próstata. Entre as drogas disponíveis podemos citar:

– Terazosina.
– Doxazosina.
– Tansulosina.
– Alfuzosina.
– Finasterida.
– Dutasterida.

Quando a obstrução das vias urinárias é grave ou quando o tratamento com medicamentos não tiver sucesso, ou seja, se não houver redução do tamanho da próstata, a cirurgia passa a ser uma opção.

A ressecção transuretral da próstata (RTUP) é atualmente o procedimento cirúrgico mais usado. Neste procedimento o urologista retira grande parte da próstata com um aparelho chamado ressectoscópio, que é introduzido através da uretra. Por este aparelho é possível introduzir uma lâmina para ressecar a próstata e aspirar o tecido retirado. Geralmente retira-se todo o interior da próstata, deixando apenas a parte externa. A cirurgia é feita com anestesia geral (leia: ANESTESIA GERAL | Como funciona e quais os riscos) ou regional e dura em média 90 minutos.

Se a próstata não for muito grande uma cirurgia possível é a incisão transuretral da próstata (ITUP), semelhante a RTUP, mas apenas retirando uma pequena parte de tecido da próstata, o suficiente para desobstruir a uretra.

Existem outras técnicas para ressecção da próstata, como Laser, micro-ondas, cauterização, etc. A técnica depende da gravidade de cada caso e da experiência do urologista.

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PROSTATITE – Sintomas e Tratamento

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Prostatite é um termo amplo que engloba várias condições que cursam com inflamação da próstata. Seus sintomas incluem febre, dor para urinar, dificuldade para urinar e dor na região pélvica.

Neste texto vamos abordar os diferentes tipos de prostatites, abordando os seguintes pontos:

  • O que é próstata.
  • O que é prostatite.
  • Tipos de prostatite
  • Causas da prostatite
  • Sintomas da prostatite
  • Tratamento da prostatite

A próstata

A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz (3 a 4 cm de diâmetro), com aproximadamente 20 gramas de peso, presente apenas no sexo masculino. Localiza-se na base da bexiga e circunda a parte inicial da uretra, canal que escoa a urina da bexiga.

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Localização da próstata

Cerca de 70% do líquido ejaculado durante o orgasmo é produzido pela próstata.. Este líquido é uma secreção alcalina (com pH elevado) que se mistura e protege os espermatozoides do ambiente ácido da vagina, aumentando sua mobilidade e facilitando a chegada dos mesmos ao óvulo.

Devido a sua localização anatômica, as doenças da próstata costumam causar sintomas associados a urina e bexiga, como dor ao urinar e fraqueza do jato urinário.

Prostatite

A prostatite não é uma doença única, mas sim um grupo de quatro doenças que cursam com sintomas semelhante, relacionados à inflamação da próstata. Atualmente divide-se as prostatites em quatro grupos:

I- Prostatite aguda
II- Prostatite bacteriana crônica
III- Prostatite não bacteriana crônica ou Síndrome da dor pélvica crônica
(IIIa. inflamatória / IIIb. não inflamatória)
IV- Prostatite inflamatória assintomática

A categoria IIIb (Prostatite não bacteriana crônica / síndrome da dor pélvica crônica não inflamatória) era antigamente chamada de prostatodinia.

Vamos falar um pouquinho sobre cada uma delas.

I. Prostatite aguda

A prostatite aguda é um quadro inflamatório normalmente causado por uma infecção bacteriana da próstata. As bactérias mais comuns da prostatite aguda são as mesmas que costumam causar infecção urinária, como E. coli, Klebsiella e Proteus. A contaminação da próstata se dá pela invasão da mesma por bactérias que se encontram na uretra ou na bexiga, normalmente devido a uma urina previamente contaminada.

Entre os principais fatores de risco para a prostatite aguda podemos citar:

– Infecção urinária (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | Sintomas da cistite).
– Uso de cateter vesical.
– Traumas locais por uso prolongado de bicicletas ou andar a cavalo.
– Infecção pelo HIV (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)).
– Uretrites por DSTs (leia: GONORRÉIA | CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento).

Sintomas da prostatite aguda

A prostatite aguda pode ocorrer tanto em homens jovens quanto em idosos e os seus principais sintomas incluem:

– Febre.
– Calafrios.
– Disúria (dor ao urinar) (leia: DISÚRIA | DOR AO URINAR | Causas).
– Dificuldade em urinar.
– Dor pélvica.
– Urina turva.
– Mal estar.
– Dores musculares e nas articulações.

Os sintomas da prostatite aguda podem ser muito intensos, fazendo com que muitas vezes o doente necessite de hospitalização. A sepse é uma complicação possível desta infecção (leia: O QUE É SEPSE E CHOQUE SÉPTICO?).

Diagnóstico da prostatite aguda

O diagnóstico da prostatite aguda é feito através da avaliação conjunta do sinais clínicos e do toque retal, que demonstra uma próstata dolorosa ao exame. Assim como na infecção urinária, a urocultura serve para identificar a bactéria responsável pela infecção (leia: EXAME UROCULTURA | Indicações e como colher). O exame simples de urina (EAS) costuma apresentar piócitos na urina (pus) e sangramento microscópico (leia: EXAME DE URINA | Entenda seus resultados).

Nas análises de sangue, a dosagem do PSA pode ajudar, pois o mesmo costuma estar elevado durante as prostatites. Os marcadores de atividade inflamatória como PCR e VHS também encontram-se elevados (leia: EXAMES DE SANGUE | VHS, PCR , LDH, Ferritina e CK) e o hemograma costuma apresentar leucocitose (leia: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados).

Tratamento da prostatite aguda

A prostatite aguda tem cura e o tratamento é feito com administração de antibióticos por um período médio de quatro semanas. Como as bactérias que causam a prostatite costumam ser as mesmas da infecção urinária, os antibióticos também são iguais, sendo o Bactrim® e as quinolonas (ciprofloxacina, levofloxacina e norfloxacina) os mais usados. Os antibióticos podem ser alterados posteriormente de acordo com os resultados da urocultura, que costumam demorar de 48 a 72h para ficarem prontos.

Os sintomas costumam começar a desaparecer com 48 horas de antibioticoterapia. Depois de sete dias de tratamento a urocultura já é negativa, não apresentando mais bactérias na urina.

Para o alívio da dor analgésicos comuns e anti-inflamatórios podem ser usados, se não houver contraindicações.

II. Prostatite bacteriana crônica

A prostatite bacteriana crônica é um complicação possível da prostatite aguda não devidamente tratada.

O quadro é bem mais brando que na  prostatite aguda e os sintomas podem ser sutis. Na maioria das vezes as queixas se restringem a disúria (incômodo ao urinar), vontade urinar frequentemente e mal-estar. A febre, quando presente, costuma ser baixa.

Como vocês já puderam notar, muitos dos sintomas da prostatite crônica são semelhantes aos da cistite (infecção da bexiga), podendo causar alguma confusão no diagnóstico (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | CISTITE | Sintomas e Tratamento). É importante saber que nos homens adultos e/ou jovens a cistite é uma infecção pouco comum, devendo a prostatite ser sempre uma das hipóteses diagnósticas nos pacientes do sexo masculino com sintomas semelhantes aos de uma infecção urinária.

O diagnóstico da prostatite crônica também é feito através da história clínica e do toque retal.  Neste caso, durante o toque retal, é possível realizar a massagem da próstata para estimular a secreção de líquidos para a análise laboratorial. A massagem prostática nunca deve ser feita na prostatite aguda devido ao risco de estimular a liberação de bactérias para a corrente sanguínea. A urocultura colhida após massagem prostática também é uma opção para o diagnóstico da prostatite crônica.

As bactérias que causam a prostatite crônica são, em geral, as mesmas da prostatite aguda. Paciente que apresentam sintomas de prostatite crônica, com pus no exame simples de urina, mas cujas uroculturas e culturas da secreção prostática são persistentemente negativas, devem ser investigados para infecção por clamídia (leia: GONORRÉIA | CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento).

O tratamento da prostatite crônica é semelhante ao da prostatite aguda, com duração entre 4 a 6 semanas. Pacientes que apresentam infecção recorrente podem precisar de tratamento mais prolongado.

III. Prostatite não bacteriana crônica ou Síndrome da dor pélvica crônica

A síndrome da dor pélvica crônica é uma síndrome que cursa com sintomas urológicos e desconforto na região pélvica. O termo síndrome da dor pélvica crônica é mais correto que prostatite não bacteriana crônica, porque muitas vezes não há envolvimento da próstata no quadro, apesar dos sintomas serem sugestivos de prostatite crônica.

A síndrome da dor pélvica crônica é um diagnóstico de exclusão, ou seja, só pode ser dado depois que se descartam a prostatite bacteriana e outras causas para dor pélvica como tumores, infecções urinárias, hemorroidas e doenças testiculares.

Os sintomas da síndrome da dor pélvica crônica incluem aqueles da prostatite crônica e outros como dor pélvica, desconforto anal e incômodo nos testículos.

Não há tratamento específico para a síndrome da dor pélvica crônica. Quando não se consegue descartar uma prostatite bacteriana crônica, um curso de quatro semanas de antibióticos é uma conduta aceitável. Nos casos onde não é possível determinar a causa da dor, o tratamento se limita ao uso de analgésicos.

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REUMATISMO – O que é, Sintomas e Tratamento

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Reumatismo é um termo médico antigo, que há muitas décadas deixou de fazer parte dos dicionários médicos, mas que ainda é muito utilizado pela população leiga. Reumatismo costuma ser empregado nos casos de doenças dos sistemas muscular e osteoarticular de origem não traumática, o que, na prática, acaba por englobar centenas doenças de origens distintas.

Apesar de ser um termo amplo, é muito comum ouvirmos a palavra reumatismo sendo empregada de forma mais específica, como se fosse sinônimo de osteoartrose ou artrite reumatoide. O termo reumatismo também é muito empregado quando o paciente apresenta um quadro de artrite (inflamação de uma articulação). É bom lembrar que existe um número imenso de doenças que podem provocar uma artrite, desde infecções até doenças de origem imunológica.

Apesar de haver centenas de doenças cujos sintomas podem ser taxados como reumatismo, na maioria dos casos, quando alguém diz que está reumático, a osteoartrose ou a artrite reumatoide costumam ser o verdadeiro motivo.

Também é relativamente comum ouvirmos a expressão “reumatismo no sangue” como forma de descrever a febre reumática, uma outra doença completamente diferente, que costuma acometer crianças com amigdalite bacteriana não tratada. Reumatismo no sangue também não é uma expressão médica, não sendo utilizada em nenhum meio científico.

Atualmente, a palavra reumatismo foi substituída pelo termo “doenças reumatológicas”. Não se diz mais que o paciente tem reumatismo, mas sim que ele tem uma doença reumatológica. Mas, mais importante do que dizer que o paciente tem uma doença reumatológica é identificar qual delas é a causa, uma vez que a origem, os sintomas e os tratamentos de cada uma costumam ser completamente diferentes.

A área da medicina que estuda as doenças reumatológicas é a Reumatologia, e o médico especialista é o reumatologista.

Apesar de reumatismo ser um termo obsoleto, a maioria da população ainda o utiliza, e nos motores de busca da Internet, como o Google, a palavra “reumatismo” ainda é muito mais procurada que o termo “doença reumatológica”. Portanto, como esse texto é voltado para a população leiga, e para que as pessoas tenham mais facilidade de encontrar as informações que estão procurando, vou continuar utilizando a palavra reumatismo, apesar de já ter deixado claro que o termo correto é mesmo doença reumatológica (ou artrite, quando o quadro clínico se resumir a uma inflamação da articulação).

O que é reumatismo – O que é uma doença reumatológica

Podemos dizer que o reumatismo é um grupo de doenças que se caracteriza por alterações funcionais do sistema musculoesquelético de causa não traumática. Em outras palavras, são as doenças que acometem principalmente articulações, ossos ou músculos. Mas como já foi dito na introdução do texto, esse termo caiu em desuso por ser pouco específico. Vamos explicar.

Com o desenvolvimento da medicina moderna, passamos a compreender melhor os tecidos do nosso corpo e a fisiopatologia de muitas doenças. Com o passar dos anos, a área da medicina chamada reumatologia deixou de tratar apenas o que se chamava de reumatismos e passou a ser uma área de estudo do tecido conjuntivo, que é um grupo de tecidos responsáveis por unir, ligar, nutrir, proteger e sustentar os outros tecidos do corpo. Como exemplos de órgãos compostos por tecido conjuntivo, ou por células do tecido conjuntivo, podemos citar os vasos sanguíneos, ossos, cartilagens, tendões, articulações, gordura, músculo e até algumas células do sistema imunológico.

Atualmente, portanto, a reumatologia expandiu sua área de atuação para muito além dos reumatismos, sendo responsável também pelo tratamento de doenças autoimunes e vasculites. Entre as doenças que pertencem ao ramo da medicina chamado reumatologia, podemos citar alguns exemplos:

A febre reumática, chamada popularmente de reumatismo no sangue, é uma doença que pode acometer as articulações, mas o seu quadro mais grave é o acometimento das válvulas cardíacas, motivo pelo qual essa doença é habitualmente tratada pelo cardiologista (leia: FEBRE REUMÁTICA ? Sintomas e Tratamento).

Sintomas do reumatismo / doenças reumatológicas

Apesar das origens distintas, alguns sintomas são comuns à maioria das doenças reumatológicas, motivo pelo qual antigamente eles eram chamadas de reumatismo.

Os sintomas típicos do reumatismo são a dor na articulação, que pode ou não vir acompanhada de inchaço e incapacidade funcional. A presença de inflamação em uma articulação é chamada de artrite.

Diferenças entre reumatismo e artrite

O que as pessoas chamam de reumatismo é, muitas vezes, um quadro de artrite, que é a inflamação da articulação. Quando o paciente queixa-se apenas de dor articular, sem haver nenhum sinal de inflamação na articulação dolorida, dizemos que ele tem uma artralgia. Por outro lado, se a dor articular vier acompanhada de inchaço, vermelhidão e calor local, isso aponta para uma articulação inflamada, e o nome correto é artrite.

Várias das doenças listadas no tópico anterior pode apresentar artrite, sendo a artrite reumatoide, a osteoartrite e a gota as doenças mais típicas. Vamos falar resumidamente dos sintomas dessas doenças, que são as causas mais comuns de “reumatismo”.

Leia também: DIFERENÇAS ENTRE ARTRITE E ARTROSE.

1- Sintomas da artrite reumatoide

A artrite reumatoide é uma doença autoimune e o seu principal sintoma é uma poliartrite simétrica, ou seja, múltiplas artrites que surgem de forma bilateral, como em ambas as mãos, pés, joelhos, ombros, etc. Além da artrite, também é muito comum a rigidez articular nas primeiras horas da manhã.

Se não houver tratamento adequado, a artrite reumatoide pode causar  graves deformidades das articulações, principalmente nas mãos.

Para saber detalhes da artrite reumatoide, leia: ARTRITE REUMATOIDE – Sintomas e Tratamento.

2- Osteoartrite

A osteoartrite, também chamada de osteoatrose ou, simplesmente, artrose, é uma doença que surge pelo desgaste da cartilagem que protege a articulação. É muito comum em idosos.

O principal sintoma da artrose é a dor, que normalmente piora com esforço físico e alivia com repouso. Alguns pacientes apresentam piora da dor com mudanças no clima. Conforme a osteoartrite avança, a dor pode surgir com atividades cada vez menos intensas, podendo, por fim, ocorrer mesmo em repouso e durante a noite. A artrose em fases avançadas é uma doença incapacitante.

Para saber mais detalhes sobre a artrose, leia: ARTROSE ? Sintomas, Causas e Tratamento.

3- Gota

A gota é um quadro de artrite provocado pela deposição de ácido úrico na articulação. A gota é habitualmente uma monoartrite, ou seja, uma artrite isolada em uma única articulação do corpo.

O principal sintoma da gota é uma artrite extremamente dolorosa, que pode surgir em várias articulações do corpo, mas é mais frequente na primeira articulação metatarsofalangiana (hálux ou dedão do pé).

Para saber mais sobre a gota, leia: ÁCIDO ÚRICO E GOTA.

Tratamento do reumatismo

Como espero ter ficado claro ao longo do texto, o reumatismo não é uma doença única, mas sim um termo que engloba sintomas musculoesqueléticos de várias doenças diferentes. Portanto, é impossível falarmos de forma extensa sobre o tratamento para o reumatismo, uma vez que cada uma das doenças reumatológicos possui um tratamento distinto.

Em geral, as artrites são tratadas com anti-inflamatórios comuns e, em alguns casos, corticoides (leia: ANTI-INFLAMATÓRIOS – Ação e efeitos colaterais e PREDNISONA E OUTROS CORTICOIDES). Nas doenças reumatológicas de origem autoimune, o tratamento é feito com medicamentos imunossupressores.

TENDINITE – Sintomas, Causas e Tratamento

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Tendinopatia ou tendinose são os termos atualmente usados para descrever as lesões do tendão que antigamente eram chamadas de tendinite.

A tendinose é uma síndrome clínica caracterizada por dor crônica e espessamento do tendão. Ele geralmente resulta do uso excessivo do tendão, principalmente em trabalhadores que fazem movimentos repetidos ou atletas amadores.

O termo tendinite tem sido abandonado, pois o sufixo “ite” é habitualmente usado para descrever a presença de inflamação em alguma estrutura, como nos casos de meningite (inflamação da meninge), apendicite (inflamação do apêndice) ou faringite (inflamação da faringe). A palavra tendinite, portanto, significa inflação do tendão. O fato é que na maioria das tendinopatias provocadas por uso excessivo do tendão há pouca ou nenhuma inflamação presente, o que torna o termo tendinite inadequado.

Resumindo, o termo tendinose deve ser usado para descrever uma lesão crônica do tendão, provocada pelo seu uso excessivo, o que antigamente era chamado de tendinite. O termo tendinite só deve ser usado para os poucos casos no qual há realmente um processo inflamatório do tendão. O termo tendinopatia é mais amplo e pode ser empregado para descrever qualquer lesão do tendão, seja ela uma tendinose, tendinite real, rutura, etc.

Feitas as devidas explicações, por ser um termo bastante consagrado e de mais fácil reconhecimento pelo público leigo, vou, ao longo do artigo, me dar a liberdade de usar os nomes tendinite, tendinopatia e tendinose como sinônimos, apesar de você já saber que o mais correto é mesmo tendinose.

Neste artigo falaremos sobre a tendinite em geral, ao longo das próximas semanas prepararemos artigos específicos sobre tendinite de ombro, joelhos, calcanhar e cotovelo.

O que é tendinite

O tendão é um cordão fibroso, composto de tecido conjuntivo e colágeno, que existe ao final de cada músculo, sendo responsável pela fixação do mesmos aos ossos. De forma bem simples, podemos dizer que o tendão é uma espécie de corda que fica grudada aos ossos, ajudando os mesmos a se moverem toda vez que o músculo se contrai. É graças aos tendões que conseguimos mover os dedos, as mãos, pernas, ombros, e diversas outras partes do corpo.

Alguns tendões são superficiais e facilmente identificáveis, como os tendões das mãos e dos pés demonstrados nas fotos ao lado.

Outro tendão facilmente identificado é o tendão de aquiles, também chamado tendão calcâneo, que liga os músculos da panturrilha ao calcanhar. Se você passar os dedos logo acima do osso do calcanhar irá notar a presença deste um robusto cordão fibroso.

Como os tendões são os responsáveis por transmitir as forças dos músculos aos ossos, os mesmo são constantemente submetidos a tração e estresses mecânicos, que, caso ocorram de forma intensa e/ou repetida, podem levar a pequenas fissuras e degenerações do tendão, principalmente em indivíduos mais velhos, que já possuem um tendão menos elástico e, portanto, mais susceptível a esgarçamentos.

A tendinopatia geralmente ocorre quando o tendão sofre lesões por uso excessivo e não consegue ter um “descanso” para se curar adequadamente, tornado-se mais espesso e com cicatrizes. Também são comuns alterações tais como áreas de desorganização das fibras, calcificações e até necrose do tendão.

Causas da tendinite

Conforme vamos envelhecendo, nosso tendões vão perdendo elasticidade, fazendo com que, a partir dos 35 anos, as tendinopatias se tornem cada vez mais comuns.

O fato de nas últimas décadas a população de meia-idade ter se tornado mais ativa colaborou para o aumento da incidência de tendinites, principalmente os do tendão de aquiles e tendões do joelho, cotovelo, punho e ombro.

A tendinite pode surgir por movimentos repetitivos que ocorrem no trabalho ou mesmo durante a prática de exercícios, como correr, jogar tênis, basquete, volei ou golfe. Pessoas com sobrepeso, com musculatura fraca ou que trabalhem em condições inadequadas também apresentam mais riscos de desenvolverem tendinites.

Sintomas da tendinite

O principal sintoma da tendinite é a dor, que piora quando o tendão é utilizado. Nas tendinopatias dos tendões mais superficiais, como no caso do tendão de Aquiles, é possível notar dor e um espessamento do tendão à palpação do mesmo. Um inchaço na região do tendão também é comum.

O quadro clínico específico depende do tipo de tendão acometido. Por exemplo, nas tendinites do ombro (tendinopatia do manguito rotator), o paciente sente uma dor profunda no ombro quando tenta fazer movimentos com o braço; na tendinite do joelho (tendinopatia patelar), há uma dor na porção anterior do joelho toda vez que o paciente anda, sobe ladeira ou quando está sentado e levanta-se.

Diagnóstico da tendinite

Uma tendinose pode ser diagnosticada apenas com o exame físico. Quando há dúvidas, exames de imagens, como a ultrassonografia ou a ressonância magnética podem ser solicitados.

Tratamento da tendinite

Muitas vezes, o paciente acaba se automedicando para a dor e demora para procurar um ortopedista, que é o especialista para tratar tendinopatias. A demora para iniciar um tratamento pode diminuir as chances de cura completa.

O primeiro passo no tratamento da tendinose é identificar e corrigir a causa. Posições inadequadas na hora de escrever ou datilografar, tênis inapropriados para correr, falta de orientação de um profissional de educação física na hora de fazer musculação ou nadar, etc., podem ser causas corrigíveis de tendinopatias. Para as pessoas que trabalham com computador e têm tendinite no braço, a troca por um teclado mais ergonômico pode ser a solução. Às vezes, basta mudar a altura da cadeira ou a posição do punho ou do cotovelo durante o trabalho para reduzir a carga sobre o tendão afetado.

No período de recuperação, o paciente deve evitar sobrecarregar o tendão lesionado. Repouso é essencial. A fisioterapia para reabilitação muscular e do tendão é muito importante no processo de recuperação. É preciso ter paciência, pois o tratamento de reabilitação do tendão pode durar várias semanas.

Medicamentos anti-inflamatórios podem ser usados por curto período, como 5 a 7 dias. Tratamentos mais prolongados não apresentam benefícios e ainda aumentam muito os risco de efeitos colaterais (leia: EFEITOS COLATERAIS DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS). As pomadas contendo anti-inflamatórios podem ajudar na dor e apresentam menos efeitos colaterais que os comprimidos.

Da mesma forma, a injeção de corticoides pode ser usada de forma pontual para aliviar os sintomas na fase mais crítica da tendinite, porém, o seu uso de forma repetida é prejudicial, já que aumenta o risco de rotura do tendão (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Efeitos colaterais).

Aplicação local de calor ou gelo podem ser usados para aliviar a dor.

Tratamento vendidos como de última geração, tipo Laser, ultrassom ou ondas de choque apresentam mais publicidade do que resultados nos estudos clínicos.

A Acupuntura pode ajudar no controle da dor aguda, mas não há evidências científicas de que, a longo prazo, haja benefícios.

Se após 6 meses de tratamento não houver relevante melhora da dor, deve-se pensar no tratamento cirúrgico,

CISTO DE BAKER – Cisto Poplíteo

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O cisto de Baker, também conhecido como cisto poplíteo, é uma pequena bolsa de líquido que surge na região atrás do joelho, chamada fossa poplítea.

O cisto de Baker é uma lesão benigna, que apresenta-se como um nódulo visível e palpável sob a pele, podendo provocar dor no joelho e dificuldade de movimentação desta articulação. Quando o cisto é pequeno, ele pode ser assintomático, passando despercebido pelo paciente.

Neste artigo vamos explicar o que é o cisto Baker, por que ele surge, quais são os seus sintomas e como é feito o tratamento.

O que é o cisto de Baker?

Em medicina chamamos de cisto toda coleção líquida ou semi-liquida que fica envolta por uma membrana, formando uma espécie de bolsa ou saco.

O cisto de Baker (cisto poplíteo) surge quando há um extravasamento do líquido sinovial da articulação do joelho. O líquido sinovial é uma espécie de lubrificante, cuja principal função é reduzir o atrito durante a movimentação de articulações, como a do joelho.

Quando há uma lesão na articulação do joelho ou quando a quantidade de líquido sinovial torna-se excessiva,  o mesmo pode ser comprimido e empurrado para a região posterior da articulação, formando uma herniação, como exemplificado na figura ao lado.

Causas do cisto de baker

Como acabamos de dizer, o cisto poplíteo surge quando há uma lesão do joelho e/ou quando o volume de líquido dentro da articulação torna-se muito grande.

Em geral, traumas do joelhos e doenças inflamatórias da articulação, como as diversas formas de artrite, são os principais fatores de risco.

Como exemplos de situações habitualmente relacionadas à formação do cisto de Baker, podemos citar a osteoartrose (leia: ARTROSE ? Sintomas, Causas e Tratamento), artrite reumatoide (leia: ARTRITE REUMATOIDE ? Sintomas e Tratamento), artrite infecciosa, artrite juvenil e diversos tipos de traumatismos do joelho, principalmente se houver lesão dos meniscos.

Sintomas do cisto de Baker

A maioria dos cistos poplíteos são assintomáticos e invisíveis ao exame físico e acabam, portanto, sendo descobertos por acaso durante a realização de um exame de imagem do joelho, como a ressonância magnética, solicitada por qualquer outro motivo.

Em geral, o cisto de Baker é uma alteração de adultos, ocorrendo com maior frequência a partir dos 35 anos de idade. Conforme o individuo envelhece, mais desgastada torna-se a articulação dos seus  joelhos e maior é a incidência do cisto poplíteo.

A ocorrência de sintomas do cisto de Baker depende de alguns fatores, tais como o seu tamanho ou a existência de complicações, como crescimento exagerado ou rotura do cisto.

Quando há sintomas, os mais comuns são dor na fossa poplítea (parte posterior do joelho), enrijecimento da articulação do joelho, inchaço e aparecimento de um nódulo palpável por trás do joelho, principalmente quando o mesmo se encontra-se em extensão, ou seja, com a perna totalmente esticada. Esses sinais e sintomas podem se agravar com atividade física.

Complicações do cisto poplíteo

O cisto poplíteo pode crescer muito ou se romper, provocando uma quadro que pode ser confundido com trombose venosa profunda dos membros inferiores (leia também: TROMBOSE VENOSA PROFUNDA (TVP)).

Um cisto que cresce muito pode provocar dor e edema da perna, principalmente se houver compressão das veias adjacentes, atrapalhando o escoamento de sangue dos membros inferiores.

Quando cisto se rompe, o líquido presente escorre pelos músculos, provocando uma reação inflamatória. O quadro é dor, vermelhidão e inchaço na região da panturrilha.

O cisto de Baker é um tipo e câncer?

Não, cisto de Baker não tem nada a ver com câncer. Este cisto é uma tumoração benigna, composta basicamente de líquido. O cisto poplíteo não é câncer e não tem nenhum risco de virar um câncer.

Diagnóstico do cisto de Baker

O exame físico costuma ser suficiente para o diagnóstico da maioria dos cistos de Baker que são grandes o suficiente para serem visíveis.

Quando há dúvidas, ou se o cisto for muito pequeno, exames de imagem, como a ultrassonografia e a ressonância magnética podem ser utilizados. A ressonância também serve para avaliar a articulação do joelho como um todo, auxiliando no diagnóstico da lesão que propiciou a formação do cisto poplíteo.

Tratamento do cisto de Baker

Nos pacientes com cistos pequenos e assintomático, nenhum tratamento faz-se necessário, uma vez que a maioria desaparece espontaneamente com o tempo.

Quando o cisto é muito grande ou provoca sintomas, o tratamento inicial costuma ser uma artroscopia do joelho, para drenagem do excesso de líquido dentro da articulação e injeção intra-articular de um glicocorticoide, como a triancinolona. Com esse tratamento, dentro de uma semana, cerca de 2/3 dos pacientes apresentam uma significante redução dos sintomas e do tamanho do cisto.

O tratamento da lesão primária do joelho é essencial para reduzir o risco de retorno do cisto no futuro. Não basta tratar o cisto, é preciso controlar a sua causa.

Caso não haja melhora, o ortopedista pode, através de uma agulha, aspirar diretamente o cisto, injetando corticoide em seguida para reduzir o risco de recidiva. Esse procedimento não é o mais indicado, primeiro porque o líquido do cisto costuma ser muito viscoso, não sendo fácil de ser aspirado por uma agulha; segundo porque essa forma não trata a lesão do joelho e, portanto, não ataca a causa da formação cisto, havendo, assim, elevado risco de recorrência.

Nos raros casos em que tratamento com artroscopia e o controle da inflamação do joelho não são suficientes para resolver o cisto poplíteo, uma cirurgia para a retirada do mesmo pode ser proposta.

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SÍNDROME DE SJÖGREN – Causas, Sintomas e Tratamento

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A síndrome de Sjögren é uma doença de origem autoimune, que ataca glândulas e órgãos do nosso corpo. A síndrome de Sjögren acomete preferencialmente mulheres; a cada 10 pacientes com esta doença, 9 são do sexo feminino.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a síndrome de Sjögren:

  • O que é a síndrome de Sjögren.
  • Causas e fatores de risco para a síndrome de Sjögren.
  • Sintomas da síndrome de Sjögren.
  • Diagnóstico da síndrome de Sjögren.
  • Tratamento da síndrome de Sjögren.

O que é a síndrome de Sjögren

A síndrome de Sjögren é uma doença de origem autoimune, ou seja, é uma doença na qual o sistema imunológico equivocadamente passa a atacar células e tecidos do nosso próprio corpo, como se estes fossem agentes invasores perigosos para a nossa saúde. O sistema imune produz autoanticorpos e estimula células de defesas, como os linfócitos, a atacar e destruir partes do nosso próprio organismo (leia: DOENÇA AUTOIMUNE).

No caso específico da síndrome de Sjögren, os alvos principais são as glândulas lacrimais e salivares, provocando sintomas como olhos e boca seca. Todavia, a doença pode não se restringir a essas glândulas, sendo possível também o acometimento de outros órgãos, como articulações, rins, pulmão, nervos, pele, fígado, pâncreas, etc.

Causas e fatores de risco para a síndrome de Sjögren

Assim como em quase todas as doenças de origem autoimune, não sabemos exatamente por que o sistema imunológico destes pacientes subitamente passa a agir de forma equivocada, atacando tecidos e órgãos do próprio organismo.

Sabemos, entretanto, que há um forte componente genético na sua gênese, pois os pacientes com síndrome de Sjögren apresentam alguns genes em comum. Porém, para que a síndrome de Sjögren apareça, não basta a herança genética, alguns outros fatores ambientais ainda não esclarecidos, como infecções por certos vírus ou bactérias, parecem ser necessários para que o sistema imunológico dos pacientes geneticamente susceptíveis passe a agir de forma perigosa.

Cerca de metade dos pacientes com síndrome de Sjögren apresenta também outra doença autoimune associada, como lúpus (leia: SINTOMAS DO LÚPUS), artrite reumatoide (leia: ARTRITE REUMATOIDE | Sintomas e tratamento), esclerodermia ou tireoidite de Hashimoto (leia: HIPOTIREOIDISMO | Tireoidite de Hashimoto). Portanto, ter uma doença autoimune é um fator de risco para ter síndrome de Sjögren, assim como ter síndrome de Sjögren é um fator de risco para ter outras doenças autoimunes.

Classificamos como síndrome de Sjögren primária os casos no qual não há outra doença autoimune associada. Já os pacientes que possuem síndrome de Sjögren além de outra doença autoimune, como lúpus ou artrite reumatoide, são considerados como portadores de síndrome de Sjögren secundária.

Outros fatores de risco importantes para a síndrome de Sjögren são o sexo feminino, já que mais de 90% dos casos ocorrem em mulheres, e a idade, pois, apesar da doença poder surgir em qualquer faixa etária, ela é mais comum em pessoas acima dos 40 anos.

Sintomas da síndrome de Sjögren

A xeroftalmia (olhos secos) e a xerostomia (boca seca) são os sintomas mais típicos da síndrome de Sjögren. Porém, a doença costuma ser insidiosa, com progressão lenta e com sintomas inespecíficos, comuns a várias outras doenças reumatológicas, principalmente nos primeiros anos, fazendo com que o diagnóstico correto, muitas vezes, só seja feito após anos de investigação.

A inflamação das glândulas lacrimais reduz a produção de lágrima e interfere na lubrificação dos olhos, levando a sintomas, como olhos vermelhos, olhos ressecados, ardência ou sensação de corpo estranho, coceira ou visão borrada. A falta de lubrificação dos olhos aumenta o risco de infecção ocular e lesões da córnea (leia: OLHO SECO E FALTA DE LÁGRIMAS).

A inflamação das glândulas salivares provoca redução da produção de saliva, levando à boca seca, garganta seca, dificuldades para engolir, alterações no paladar, rouquidão, aumento da incidência de cáries, e lesões nos dentes, gengivas, língua e lábios. Nas crianças, a inflamação e inchaço da glândula parótida é muito comum, podendo o quadro ser confundido com caxumba (leia: CAXUMBA | Sintomas e complicações).

Além das glândulas lacrimais e salivares, outras áreas do corpo podem também ser atacadas. Exemplos são as vias áreas, onde é possível haver tosse seca (leia: TOSSE | Causas e tratamento), sinusite (leia: SINUSITE | Sintomas e tratamento) e rinite (leia: RINITE ALÉRGICA | Sintomas e tratamento), além do aumento da incidência de infecções pulmonares. A inflamação das glândulas vaginais, responsáveis pela lubrificação da vagina também é comum, levando à secura vaginal, dor durante o ato sexual e aumento da frequência de infecções ginecológicas, principalmente candidíase (leia: CANDIDÍASE | Sintomas e tratamento). Cansaço e alterações menstruais também são relativamente comuns.

Sintomas menos comuns da síndrome de Sjögren incluem atrite, fenômeno de Raynaud, aumento de linfonodos, lesões dos rins, lesões dos nervos e músculos. Uma complicação rara é a inflamação dos vasos sanguíneos, chamada vasculite, que pode danificar os tecidos do corpo que são nutridos por estes vasos inflamados (leia: VASCULITE | Causas e sintomas).

Cerca de 5% dos pacientes com síndrome de Sjögren desenvolvem linfoma não-Hodgkin (leia: LINFOMA HODGKIN e LINFOMA NÃO-HODGKIN). Esta complicação surge, geralmente, 7 a 10 anos após o diagnóstico da síndrome de Sjögren.

Diagnóstico da síndrome de Sjögren

A síndrome de Sjögren é muitas vezes uma doença difícil de diagnosticar, pois os sinais e sintomas variam de pessoa para pessoa e podem, inicialmente, ser semelhantes aos causados ??por outras doenças, como artrite reumatoide, lúpus, sarcoidose, amiloidose, fibromialgia (leia: O QUE É FIBROMIALGIA?), etc. Além disso, os clássicos sintomas de olhos e boca seca ocorrem em várias outras doenças, podendo também ser um efeitos colateral de uma série de medicamentos. Não é incomum, portanto, o paciente só receber o diagnóstico correto da síndrome de Sjögren vários anos após o aparecimento dos primeiros sintomas.

O especialista mais indicado para conduzir a investigação de quadros sugestivos de Sjögren é o reumatologista. Não existe um exame único que consiga definir com certeza o diagnóstico. Este normalmente é feito através da avaliação conjunta dos sinais e sintomas com exames laboratoriais.

A pesquisa de autoanticorpos, como o FAN (ANA) (leia: EXAME FAN (FATOR ANTINUCLEAR)), o fator reumatoide, anti-SSA/Ro e anti-SSB/La podem auxiliar no diagnóstico. Porém, estes autoanticorpos possuem elevada taxa de falso positivo e falso negativo, não sendo suficientes para o diagnóstico sem outros dados clínicos e laboratoriais.

A biópsia de glândula salivar pode ser recomendada para auxiliar no diagnóstico. O procedimento é feito através da remoção de um pequeno pedaço de tecido a partir da porção interna do lábio inferior. Uma glândula cheia de linfócitos sugere que a mesma está sendo atacada pelo sistema imune, o que fala fortemente a favor da síndrome de Sjögren.

Exames oftalmológicos para determinar se a produção de lágrimas está normal também são úteis:

Teste de Schirmer: neste teste, um pequeno e fino pedaço de papel filtro é inserido suavemente entre a pálpebra e o canto interno do olho. O papel é removido depois de vários minutos, e a umidade no mesmo é medida. A diminuição da quantidade de umidade é característica da síndrome de Sjögren, embora a produção de lágrima reduzida possa também ocorrer com outras condições.

Teste de Rosa Bengala: este teste detecta lesões nos olhos, principalmente na conjuntiva e na córnea, causadas pela secura crônica do mesmo. É um exame dos olhos feito após pingar um colírio com um corante específico, chamado rosa bengala. Com uma luz especial, o oftalmologista consegue detectar lesões nos olhos.

Tratamento da síndrome de Sjögren

Atualmente, não há cura para a síndrome de Sjögren. No entanto, os tratamentos podem melhorar os sintomas e prevenir as várias complicações da doença.

O tratamento visa reduzir os sintomas mais incômodos. Os olhos secos são tratados com lágrimas artificiais aplicadas regularmente durante o dia ou com gel aplicado à noite. Colírios que reduzem a inflamação nas glândulas lacrimais, tais como a ciclosporina (Restasis®), podem ser utilizados para aumentar a produção de lágrima.

Para aumentar a salivação, o uso de balas ou goma de mascar sem açúcar são úteis. Beber ou apenas molhar a boca com goles de água durante o dia também é importante para mantê-la bem hidratada. Alguns pacientes se beneficiam do uso de medicamentos que estimulam o fluxo de saliva, como a pilocarpina (Salagen®) ou cevimuline (Evoxac®).

Como as cáries são muito comuns, deve-se escovar os dentes após qualquer refeição. Já existem no mercado pastas de dente voltadas para pacientes com boca seca. Uma visita ao dentista deve ser feita 2 vezes por ano.

A hidroxicloroquina é um medicamento muito usado no lúpus e na artrite reumatoide, podendo ser útil em alguns pacientes com síndrome de Sjögren e dor articular, muscular e/ou lesões dermatológicas. Nos pacientes com doença sistêmica, acometendo vários órgãos, o uso de drogas imunossupressoras, como corticoides (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | efeitos colaterais), azatioprina, metotrexato, rituximab e ciclofosfamida pode ser necessário.

ALIMENTOS E OUTRAS FONTES DE VITAMINA D

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A vitamina D, também conhecida como calciferol, é uma substância essencial para a nossa saúde, sendo uma das responsáveis pelo controle dos níveis de cálcio e fósforo no sangue e nos ossos.  Nos últimos anos, a vitamina D tem ganhado atenção na mídia e no meio médico por suas supostas ações contra infecções, câncer e doenças cardíacas.

Neste artigo vamos fazer uma revisão do papel da vitamina D no organismo, esclarecendo quais são os seus reais benefícios e quais são apenas suposição ainda não comprovadas por estudos científicos. Vamos abordar os seguintes pontos sobre a vitamina D:

  • O que são as vitaminas.
  • O que é vitamina D.
  • Relação entre vitamina D e exposição solar.
  • Alimentos que contêm vitamina D.
  • Benefícios da vitamina D.
  • Deficiência de vitamina D
  • Suplementos de vitamina D.

O que são as vitaminas

As vitaminas são substâncias encontradas nos alimentos, sendo necessárias em pequenas quantidades para o funcionamento normal do metabolismo do corpo. Os seres humanos não conseguem produzir vitaminas (exceto pela vitamina D, como será explicado mais à frente) e, por isso, dependem da alimentação para manter o níveis sanguíneos necessários à saúde.

Existem 13 vitaminas essenciais, cada uma delas com uma ação específica no organismo. As vitaminas são importantes para a saúde, mas o seu real papel costuma ser superestimado. As pessoas tendem a achar que as vitaminas são nutrientes que agem de forma generalizada no corpo, melhorando a força, combatendo cansaço, impedindo infecções, abrindo apetite, etc. Nada disso é real. Cada vitamina tem ação específica e restrita. Por exemplo, a vitamina K é necessária para as reações que ativam a coagulação do sangue; a vitamina B12 é importante na formação das hemácias (glóbulos vermelhos); e a vitamina A é essencial na formação dos tecidos que revestem os olhos.

Nós precisamos de apenas pequenas quantidades de vitaminas no corpo. Algumas vitaminas quando consumidas em excessos, em vez de trazer benefícios, provocam intoxicações, um quadro chamado hipervitaminose.

Em uma artigo à parte, descrevemos de forma sucinta o papel das principais vitaminas: MITOS E VERDADES SOBRE VITAMINAS.

O que é a vitamina D

A vitamina D é uma substância cuja maior ação se dá no controle dos níveis de cálcio no sangue e na saúde dos ossos. A vitamina D possui uma particularidade em relação às outras vitaminas: além de ser adquirida através dos alimentos, ela também pode ser produzida pelo nosso próprio organismo, através da exposição solar. Portanto, enquanto todas as outras vitaminas só podem ser adquiridas na dieta, uma adequada exposição à luz do sol consegue prover quantidades suficientes de vitamina D para o nosso organismo.

Nos próximo parágrafos vou explicar com mais detalhes a formação e a ativação da vitamina D no nosso corpo. Esta parte apesar de parecer muito técnica e de ter nomenclaturas complicadas será importante mais à frente quando falarmos da deficiência e da reposição de vitamina D. Tentarei ser o mais didático possível.

Metabolismo da vitamina D no organismo Existem duas formas básicas de vitamina D: colecalciferol (vitamina D3) e ergocalciferol (vitamina D2). Ambas podem ser obtidas através de alimentos ou suplementos vitamínicos. A vitamina D3, porém, pode também ser produzida pelo nosso corpo. Através do colesterol que é consumido nos alimentos, conseguimos obter uma substância chamada 7-dehidrocolesterol. Este colesterol se deposita nas células da pele e, quando exposto à luz solar (raios UV-B), se transforma colecalciferol (vitamina D3).

Tanto o colecalciferol (vitamina D3) quanto o ergocalciferol (vitamina D2) são formas inativas da vitamina D. Para que a vitamina D possa exercer seus efeitos no organismo, mais duas metabolizações são necessárias.

O processo se dá da seguinte maneira: as vitaminas D3 e D2 obtidas na alimentação e/ou exposição solar são transportadas para o fígado, onde serão transformadas em calcidiol (25-hidroxivitamina D). O calcidiol é a forma que o corpo usa para armazenar a vitamina D. Por isso, quando queremos saber se o paciente tem níveis adequados de vitamina D no corpo, dosamos no sangue os níveis de 25-hidroxivitamina D (25OH vit D).

Quando o organismo sente necessidade de agir sobre os níveis de cálcio do sangue e dos ossos, uma parte desta 25-hidroxivitamina D é transportada até o rins, onde sofrerá o último processo de metabolização, transformando-se em calcitriol (1,25-hidroxivitamina D), esta sim a forma ativa da vitamina D.

Portanto, resumindo, a obtenção e ativação da vitamina D podem seguir dois caminhos:

  • Alimentos » fígado » rim.
  • Pele » fígado » rins.

Exposição solar e vitamina D

O colecalciferol (vitamina D3) formado após exposição solar é a melhor e mais fácil fonte de vitamina D que podemos obter. A variedade de alimentos ricos em vitamina D é pequena, por isso, uma exposição solar frequente é necessária para que o corpo consiga ter reservas adequadas de vitamina D.

Populações que vivem em países de clima temperado são as que mais sofrem com a falta de vitamina D. Além da menor incidência de sol nos meses de inverno e outono, o frio faz com que as pessoas saiam menos de casa, e quando o fazem, precisam usar roupas grossas e compridas, impedindo o contato da pele com o sol, mesmo em dias ensolarados. Na Europa, cerca de metade da população chega ao final do inverno com níveis baixos de calcidiol (25-hidroxivitamina D), caracterizando deficiência de vitamina D.

Para quem vive em países com elevada exposição solar, como o Brasil, o risco de deficiência de vitamina D deveria ser bem baixo, mas não é. Na verdade, a quantidade de sol que uma região recebe por ano é importante, mas há outros fatores que influenciam na capacidade da pele de produzir vitamina D a partir dos raios UV-B. Exemplos:

– No Oriente Médio, a exposição solar anual é bem elevada, entretanto esta região apresenta altas taxas de carência de vitamina D. O principal motivo é cultural, devido ao costume de se usar roupas compridas, que cobrem toda a superfície corporal, limitando o contato da pele com os raios solares.

– A idade é outro fator importante também. Com o passar do anos, a pele vai ficando cada vez menos eficiente em produzir vitamina D, tornado os idosos um grupo com elevado risco para deficiência desta vitamina. Além da baixa eficiência da pele, os idosos costumam ter um consumo mais baixo de vitamina D na dieta, se expõem menos ao sol e muitas vezes passam o dia fechados em casa ou em lares para terceira idade. Em alguns países da Europa, mais de 80% da população idosa apresenta carência de vitamina D. Mesmo no Brasil, estima-se que metade da população idosa sofra de falta de vitamina D.

– Com a maior conscientização da população em relação aos riscos de câncer de pele devido à exagerada exposição solar, é cada vez maior o número de pessoas que evitam tomar banho de sol (leia: MELANOMA | Câncer de pele). Além disso, o uso frequente de protetor solar com elevado fator de proteção bloqueia os raios UV-B, impedindo que os mesmos consigam estimular a produção de vitamina D na pele (leia: PROTETOR SOLAR | FILTRO SOLAR).

– A cor da pele é outro importante fator. A melanina, presente em grande quantidade nas pessoas de pele mais escura, é um pigmento que nos protege contra os raios UV-A e UV-B. A melanina é a responsável pela menor incidência de câncer de pele em pessoas negras e pardas. Porém, a melanina não bloqueia só os efeitos maléficos dos raios ultravioleta. Pessoas de pele mais escura precisam ficar mais tempo ao sol para que sua pele produza mesma quantidade de vitamina D que pessoas mais brancas. A falta de vitamina D em negros é muito comum, principalmente naqueles que vivem em países com baixa incidência solar.

Em geral, pessoas de pele clara precisam de 5 a 10 minutos de exposição solar 2 a 3 vezes por semana. Já pessoas de pele mais escura precisam de 30 minutos, três vezes por semana para obter o mesmo resultado. O melhor horário é entre 10h e 15h. O sol do início da manhã ou no final da tarde é muito fraco, não tendo capacidade de estimular a produção de vitamina D.

Alimentos ricos em vitamina D

Poucos alimentos são realmente ricos em vitamina D, exceto naturalmente, aqueles que cuja vitamina D é adicionada de forma artificial. Na verdade, essa relativa falta de vitamina D na maioria dos alimentos não é um problema grave, pois nosso organismo “foi feito” para obter vitamina D primariamente do sol, e não da alimentação. Porém, pessoas que não são expostas de forma adequada ao sol, seja porque moram em países com baixa exposição solar ao longo do ano ou porque passam o dia fechados em instituições, escritórios ou mesmo dentro de casa, acabam precisando de uma dieta que contenha alimentos ricos em vitamina D.

De forma natural, os peixes oleosos são as principais fontes, principalmente o óleo de fígado de bacalhau, atum enlatado, salmão e sardinha. Outras fontes de vitamina D são a gema do ovo, cogumelos e o bife de fígado. Atualmente, os derivados de leite também são fontes ricas de vitamina D, mas somente porque eles são artificialmente enriquecidos com a vitamina. Portanto, leite industrializado, queijos e iogurtes também são alimentos que contêm vitamina D.

Ao contrário da crença popular, frutas e vegetais não são fontes ricas em vitamina D.

Conforme veremos mais à frente, uma dose de 600 a 800 UI de vitamina são necessárias para manter os níveis de vitamina D na maioria dos adultos. Como comparação, veja a quantidade de vitamina D presente em alguns exemplos de alimentos:

FONTES DE VITAMINA D:

  1. Óleo de fígado de bacalhau – 1 colher de chá contém 450 UI; 1 colher de sobremesa contém 1350 UI
  2. Arenque cru – 100 g contêm 1628 UI
  3. Salmão-vermelho cru, enlatado ou cozido – 75 g contêm 600 UI
  4. Salmão-rosa cru, enlatado ou cozido – 75 g contêm cerca 500 UI
  5. Atum – 75 g contêm cerca de 200 UI
  6. Ovos – 2 unidades grandes contêm cerca de 80 UI
  7. Bife de vaca – 75 g contêm cerca de 36 UI

Benefícios da vitamina D

O principal papel da vitamina D é controlar o metabolismo do cálcio e do fósforo, mantendo os ossos saudáveis. Crianças com deficiência de vitamina D desenvolvem raquitismo e adultos sofrem de osteomalácia e osteoporose. Idosos com falta de vitamina D apresentam também menor força muscular e maior risco de quedas e fratura do colo do fêmur.

Nos últimos anos uma grande quantidade de estudos têm surgido, sugerindo outros benefícios da vitamina D além do controle do metabolismo do cálcio. Entre as doenças que podem estar relacionadas com a falta de vitamina D podemos citar:

É importante frisar que os benefícios cientificamente comprovado da vitamina D são apenas aqueles ligados aos ossos e o metabolismo do cálcio. Todas as outras supostas ações não estão 100% comprovadas. O que existem são estudos preliminares, que parecem ser reais, mas que precisam ainda serem comprovados por estudos em larga escala.

Obs: há um grande estudo sobre o assunto em andamento nos EUA, com mais de 20.000 pacientes, que deve ser finalizado até 2016. Espera-se que a partir deste estudo tenhamos dados mais confiáveis sobre a ação da vitamina D em várias partes do corpo.

Deficiência de vitamina D

Como a vitamina D é armazenada no organismo sob a forma de calcidiol (25-hidroxivitamina D), este é o tipo de vitamina D mais abundante no nosso sangue. Por isso, a 25-hidroxivitamina D é a substância que dosamos quando queremos saber se o corpo tem quantidades adequadas de vitamina D.

Umas das grandes dificuldades atualmente na medicina é descobrir quais são os valores ideais de calcidiol (25-hidroxivitamina D). Ao longo dos anos, conforme os estudos vão elucidando o papel da vitamina D no organismo, os valores considerados normais vêm se alterando.

Atualmente, os valores mais aceitos como adequados são entre 20 e 40 ng/mL. Porém, é possível encontrar fontes bibliográficas que dizem que os valores ideais de 25-hidroxivitamina D são acima de 50 ng/mL ou até 75 ng/mL.

Níveis superiores a 90 ng/mL costumam ser considerados potencialmente tóxicos.

Suplementos de vitamina D

Como os especialistas ainda não chegaram ao um consenso sobre quais são os níveis adequados de 25-hidroxivitamina D, os critérios para se indicar suplementos de vitamina D mantêm-se confusos. Há médicos que indicam suplementos quando os níveis de 25-hidroxivitamina D estão abaixo de 50 ng/mL, enquanto outros somente quando abaixo de 30 ou 20 ng/mL.

As normas da Sociedade Americana de Endocrinologia sugerem suplementação de vitamina D, visando manter a concentração de 25-hidroxivitamina D acima de 30 ng/mL. Habitualmente, a dose de 600 a 800 UI por dia é suficiente para atingir este alvo. A suplementação com colecalciferol (vitamina D3) é mais indicada que com ergocalciferol (vitamina D2), apesar desta última também ser uma opção aceitável.

Em pessoas com deficiência mais grave, como nos casos de 25-hidroxivitamina D em níveis abaixo de 20 ou 15 ng/dl, doses diárias mais elevadas de vitamina D, como até 2.000 UI, podem ser necessárias.

Se for possível realizar alterações na dieta e no padrão de exposição solar, muitas vezes o paciente consegue alcançar níveis de 25-hidroxivitamina D adequados sem suplementos. É bom lembrar que um bom prato de salmão chega a fornecer 1.000 UI de vitamina D e 30 minutos de exposição solar pode produzir 10.000 UI de vitamina D.

Os idosos, porém, são o grupo que tem mais dificuldade de corrigir sua deficiência de vitamina D sem a ajuda de suplementos. Quem mora em locais mais frios também costuma precisar de suplementos de vitamina D, principalmente no inverno.

Como os pacientes com doença do fígado ou dos rins são normalmente incapazes de metabolizar adequadamente as vitaminas D2 e D3, a reposição costuma ser feita diretamente com 25-hidroxivitamina D ou 1,25-hidroxivitamina D.

CISTO SINOVIAL – Causas, Sintomas e Tratamento

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O cisto sinovial é um tumor benigno que habitualmente apresenta-se como um pequeno nódulo arrendondado acima das articulações ou tendões, principalmente nas mãos e punhos. Em português bem claro, o cisto sinovial é uma bolinha de consistência mole, que surge geralmente acima do punho ou em um do dedos da mão.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre o cisto sinovial:

  • O que é o cisto sinovial.
  • Causas do cisto sinovial.
  • Sintomas do cisto sinovial.
  • Tratamento do cisto sinovial.

O que é o cisto sinovial?

Para entender o que é o cisto sinovial, precisamos antes falar um pouquinho sobre a sinóvia e as articulações. Todo mundo entende que nosso esqueleto é amplamente articulado. Conseguimos dobrar e girar braços, pernas, mãos, dedos, pescoço, etc. Toda essa gama de movimentos que nosso esqueleto é capaz de fazer se deve ao fato de termos articulações, que são as estruturas que unem dois ossos diferentes e permitem o movimento entre eles. Como exemplo de articulações, podemos citar os joelhos, cotovelos, tornozelos e punhos.

Para que essa movimentação de um osso contra o outro não provoque atrito e desgaste, dentro das articulações existem duas importantes estruturas, o líquido sinovial e as cartilagens. A cartilagem é um tecido escorregadio localizado nas extremidades dos ossos articulados. O líquido sinovial é uma espécie de lubrificante que fica dentro das articulações, circundado por uma bolsa chamada sinóvia. Estas duas estruturas permitem que os ossos das articulações possam deslizar um sobre o outro durante anos e anos com mínimo atrito, impedindo que haja desgaste dos mesmos. A perda destas duas estruturas provoca lesão dos ossos, levando a uma doença chamada artrose (leia: O QUE É ARTROSE?). Além das articulações, os tendões também são circundados por uma bolsa contendo líquido sinovial.

Cisto é nome que damos a qualquer bolsa que tenha material líquido ou semilíquido em seu interior. O cisto sinovial é, portanto, é uma bolsa que contém líquido sinovial.

O cisto sinovial surge nas articulações ou tendões, sendo uma herniação de parte da sinóvia e da cápsula das articulações. Este “vazamento” de líquido sinovial para fora das articulações forma uma bolsa que pode ser facilmente vista e palpada.

Apesar de ter origem no líquido sinovial, o conteúdo da cisto sinovial não é puramente líquido. O material dentro do cisto fica isolado do resto da articulação e acaba por formar um espécie de geleia.

Causas o cisto sinovial

Não se sabe muito bem por que os cistos sinoviais surgem. A teoria mais aceita é de que pequenas lesões da cápsula articular, causadas por traumas ou esforço repetitivo, permitem o extravasamento de líquido sinovial para fora da articulação, formando o cisto.

Além do trauma e do uso excessivo da articulação, um defeito na formação da articulação também parece ser importante, já que o cisto sinovial pode surgir em pessoas sem história de traumas ou uso repetitivo da articulação.

Sintomas do cisto sinovial

O cisto sinovial é uma massa arrendondada, que costuma ter um diâmetro de 1 a 3 centímetros, compressível e de consistência borrachosa. O cisto costuma ser visível e palpável, estando a pele acima íntegra e sem sinais inflamatórios. A lesão é transluzente, ficando avermelhada quando jogamos um foco de luz sobre a mesma, demonstrando seu conteúdo fluído.

O cisto pode surgir subitamente ou ir crescendo ao longo do tempo. Seu tamanho pode variar, estando mais ou menos volumosos em determinados momentos. Ele também pode desaparecer espontaneamente e reaparecer tempos depois.

O cisto sinovial pode surgir em qualquer articulação, mas sua localização mais habitual é na região do punho ou em um dos dedos da mão. Ele não costuma provocar dor, mas pode fazê-lo caso a massa comprima algum nervo. Nesta situação, além da dor, também é possível haver perda de força e de sensibilidade na região da articulação ou tendão.

Existem casos de cistos sinoviais pequenos e ocultos, que não são visíveis através da pele, mas que são descobertos por causaram dor. Cistos ocultos podem ser diagnosticados pela ultrassonografia ou ressonância magnética.

Tratamento do cisto sinovial

O cisto sinovial é uma tumoração benigna, sem nenhuma possibilidade de se tornar em câncer. Na maioria dos casos ele é assintomático e, como pode desaparecer espontaneamente, nenhum tratamento é necessário.

Por outro lado, se o cisto estiver provocando dor ou atrapalhando na movimentação da articulação, o tratamento médico está indicado.

Um tratamento simples é a imobilização da articulação com talas, de forma a comprimir o cisto e impedir a movimentação da articulação. Desta maneira, tenta-se criar um mecanismo contrário, empurrando o material do cisto de volta para a articulação.

A aspiração do cisto com uma agulha é outra opção e pode ser feita com anestésicos locais no próprio consultório (leia: TIPOS DE ANESTESIA). Após a aspiração, o médico costuma infundir uma solução com corticoides para colar as paredes do cisto e atrapalhar o seu reenchimento. A taxa de sucesso desta técnica é de 75%.

A aspiração apresenta resultado superiores à imobilização por tala, mas mesmo assim há risco de reincidência do cisto. Em cerca de 15 a 20% dos casos, o cisto retorna com frequência e se o paciente continua tendo queixas de dor ou incômodo, o ortopedista pode indicar a remoção cirúrgica do mesmo. A cirurgia pode ser feita pela via clássica ou através de artroscopia. O problema da cirurgia é que ela é um procedimento muito mais invasivo e não garante 100% de cura. Mesmo após remoção cirúrgica, o cisto sinovial pode retornar.

ESPORÃO DE CALCÂNEO – Dor no calcanhar

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O esporão de calcâneo, ou esporão de calcanhar, é um problema ortopédico que surge devido ao crescimento anormal de uma parte do osso do calcanhar, formando uma protuberância, que pode provocar intensa dor na sola do pé.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre o esporão do calcanhar:

  • O que é o esporão de calcanhar.
  • Causas do esporão de calcâneo.
  • Sintomas do esporão de calcanhar.
  • Tratamento do esporão de calcâneo.

O que é o esporão de calcâneo?

Calcâneo é nome dado ao osso do calcanhar. O esporão do calcâneo é uma protuberância óssea, que surge habitualmente na base do osso calcâneo, na sola do pé (veja ilustração abaixo). Outro local onde o esporão pode surgir é na região posterior do calcâneo, próximo à inserção do tendão de Aquiles.

Esporão de calcâneo

O esporão costuma se desenvolver devido a microtraumas e inflamação crônica da parte inferior do calcanhar, afetando não só osso calcâneo, mas também os tendões e a fáscia plantar (ligamento localizado na planta dos pés, cuja uma das extremidades fica aderida ao osso calcâneo). Os múltiplos microtraumas e a inflamação crônica ao longo de vários meses favorecem a calcificação dos tecidos ao redor do osso do calcanhar, o que leva à formação dos esporões.

Causas de esporão do calcanhar

Qualquer situação que cause estresse crônico à região do calcanhar pode provocar o desenvolvimento de um esporão. Como uma das extremidades da fáscia plantar fica aderida à base do osso calcâneo, a fascite plantar (inflamação da fáscia) possui os mesmos fatores de riscos que o esporão de calcanhar (leia: FASCITE PLANTAR | Dor no pé), sendo comum a coexistência dos dois problemas ortopédicos.

São fatores de risco para o desenvolvimento do esporão de calcâneo e da fascite plantar:

  • Idade acima de 40 anos.
  • Obesidade (leia: OBESIDADE | Síndrome metabólica).
  • Pé chato.
  • Pé cavo.
  • Prática de esportes de alto impacto nos pés, como corrida, ballet e dança.
  • Trabalhar muito tempo em pé, como seguranças, professores, cirurgiões, trabalhadores de fábrica, etc.
  • Uso excessivo de salto alto.
  • Uso de calçados pouco apropriados para os pés, como sapatos apertados, largos ou velhos.
  • Alterações da marcha, como pisar com o pé torto, principalmente com a parte de dentro dos pés.

Sintomas do esporão de calcâneo

Os esporões de calcanhar frequentemente causam pouco ou nenhum sintoma. A simples existência de um esporão não é suficiente para causar dor em cerca de 95% dos pacientes. Para haver dor é preciso existir também inflamação na região ao redor do calcanhar, geralmente com acometimento da fáscia plantar.

Apesar de ter uma forma pontiaguda, a dor do esporão não costuma ocorrer pelo espetamento de alguma estrutura ao seu redor. A dor surge pelo processo inflamatório local que é provocado por microtraumas repetitivos. Em geral, os pacientes com esporão de calcanhar que se queixam de dor apresentam também o quadro de fascite plantar (é bom salientar que o esporão do calcanhar não provoca a fascite plantar).

Portanto, não é o esporão em si que causa dor nos pés. O esporão é apenas um sinal indireto de que aquela região do calcanhar esteve nos últimos meses, ou anos, exposta a traumas e estresses repetitivos.

Quando há inflamação local o sintoma mais comum é uma dor na planta do pé, especialmente na região abaixo do calcanhar. A dor é tipicamente pior durante os primeiros passos, como ao sair da cama de manhã ou levantar-se depois de estar sentado por algum tempo.

Tratamento do esporão de calcanhar

O tratamento do esporão de calcâneo só é necessário quando há inflamação dos tecidos ao redor, habitualmente sob a forma de fascite plantar. Inicialmente, o controle da inflamação pode ser feito com repouso e gelo local.

Em casos mais resistentes, outras opções são a  fisioterapia, com execícios e alongamentos específicos para os pés e panturrilhas, e o uso de calçados com palmilhas especiais para reduzir a pressão sobre o calcâneo e a fáscia plantar. Pessoas obesas devem emagrecer para reduzir o estresse que o excesso de peso provoca sobre os pés.

Se não houver contra-indicações, o uso de anti-inflamatórios por curto período ajuda bastante no controle do processo inflamatório (leia: ANTI-INFLAMATÓRIOS | Ação e efeitos colaterais). Injeções de corticoides no calcanhar podem ser utilizadas nos casos em que não há resposta satisfatória ao tratamento conservador (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | efeitos colaterais).

A cirurgia para retirada do esporão é a última alternativa e atualmente é raramente indicada, pois a grande maioria dos pacientes consegue controle da dor com medidas conservadoras.

Este post também está disponível em: Espanhol

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